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Até onde uma mesma mecânica consegue entreter o jogador e ao mesmo tempo passar uma história que passa despercebida para a maioria dos jogadores? Esse é basicamente o resumo de SUPERHOT, game que teve sua aparição em 2013 durante uma Game JAM com o desafio de criar um FPS em 7 dias.

Durante a Game JAM o jogo foi desenvolvido inicialmente como um game para browser, contando apenas com 3 fases com uma mecânica semelhante a versão que temos hoje, mas bem menos polida. Após ver que o game tinha sido bem aceito pelo público, a equipe do game, intitulada de Superhot Team, resolveu lançar o game na plataforma Greenlight do Steam afim de verificar a aprovação do público.

Versão em browser do game desenvolvida para Game JAM

Versão em browser do game desenvolvida para Game JAM

O jogo teve sinal verde e então a equipe resolveu lançar em 2014 uma campanha no Kickstarter, na qual prometia diversas novidades como desafios, suporte ao Oculus Rift, novo design, entre outros. O game acabou por fim tendo uma contribuição de $230,000, quantia usada para dar inicio a sua produção. Finalmente, em 25 de fevereiro desse ano tivemos o lançamento.

SUPERHOT adotou um visual bem minimalista em Low Poly, com o intuito de parecer que tudo naquele mundo é feito de cristais, o que se aplica mecanicamente também já que sempre que um inimigo é morto, você o despedaça. O mesmo também se aplica a suas armas e a objetos do cenário que, quando jogadas contra algo, acabam virando apenas cacos.

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SUPERHOT se passa totalmente em slow motion de forma que enquanto você não tomar nenhuma ação, o game avança o tempo de forma extremamente lenta (tanto que você pode ir na esquina comprar um salgado e ainda não terá tomado chumbo). A cada ação tomada pelo jogador, como andar, atirar, pegar algum objeto do cenário, o tempo em que o inimigo também agirá pegando uma arma, atirando, etc. também é avançado.

Isso em forma de mecânica fica muito divertido já que faz o jogador ter que pensar em sua próxima estratégia já que um ataque é fatal para ambo. O próprio game trata isso como puzzle, como em uma fase em que o jogador é posto em uma situação que apenas um passo poderá matá-lo caso ele não avalie e pense em uma estratégia para aquilo.

No game o jogador tem apenas um tiro a cada ação, de forma que ele deva se mexer no cenário até sua arma carregar ou tacar a arma contra o inimigo, que no impacto irá soltar a arma e você pode pegá-la e finalizar seu adversário – o que faz você se sentir extremamente satisfeito por ter protagonizado uma cena digna de filme de ação. Vale também ressaltar que o jogador não pode recolher munição no cenário e após o pente descarregar o mesmo deve procurar outra arma.

O jogador também conta com um belo acervo de armas no cenário, como katanas, pistolas, shotguns, metralhadoras, pedaços de pau… Então você nunca ficará sem algo para eliminar seu inimigo.

Agora se tratando de história: O plot de SUPERHOT começa com você recebendo uma mensagem de um amigo na qual ele te passa um um game e de algumas fases. Em fases vocês começam a conversar sobre fases, senhas para passar de fase dentre outros.

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Com o passar das fases coisas estranhas começam a acontecer tanto no game quanto com você, protagonista do game, e você começa a perceber que cada vez mais está entrando naquele game como um todo. Nesse ponto eu comecei a sacar que realmente havia algo acontecendo por trás de toda aquela jogatina e que devia prestar mais atenção nos detalhes minimalistas do game.

Em vários pontos o game resolve brincar com o jogador, mandando ele a cometer ações como pular, andar e por fim lhe tratar como um cachorro, indiciando que você não tem um real controle sobre sua jogatina.

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Uma das sacadas mais genias dos produtores é fazer realmente como se você fosse o protagonista mexendo no computador e abrindo o game. O que fez a mim e outros jogadores cogitarem a possibilidade de haver segredos dentro da pasta do game.

O mais louco de tudo isso é que nos momentos finais do game, ele adiciona uma mecânica totalmente diferente, mudando completamente a forma como você joga e, claro, lhe proporcionando outros desafios utilizando dessa novidade no gameplay.

Em suma, demora aproximadamente duas horas para se finalizar o game, tempo mais do que suficiente já que mais que isso provavelmente o game começaria a perder a graça e a se tornar chato. SUPERHOT é um pouco caro considerando seu preço no Steam (R$ 39,99) e que após ter sua campanha finalizada, o game adiciona mais alguns modos de jogo que propiciam alguns momentos a mais de diversão.

Eu próprio acabei por jogar uma versão DRM-Free do GOG que é facilmente encontrada em sites de torrent, mas pretendo comprar o game numa futura sale do Steam. De forma geral, considerando que você tenha dinheiro sobrando e deseje uma experiência divertida e não tenha tempo para jogar algo muito longo, talvez SUPERHOT seja a escolha ideal.

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