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Imagine um laboratório com presença em praticamente todos os países do mundo, podendo analisar indivíduos de diversas raças, nacionalidades, culturas, sexos, etc… Bem, esse laboratório poderia sem dúvida ser o Facebook!

Toda a polêmica nos últimos dias acerca das notícias que a maior rede social do mundo realizou experiências manipulando as emoções dos usuários, pode ser uma grande bobagem. Poderia apenas complementar minha última afirmação dizendo que somos manipulados o tempo todo e de diversas formas, mas ao dizer isso meus argumentos soariam de forma leviana.

É claro que, de início, ninguém gostaria de saber que foi ou é manipulado – especialmente que sua tão amada rede social alterou o conteúdo que lhe era exibido para analisar suas reações. O fato é que, muitas outras empresas do ramo de dados, como Google, Microsoft e Yahoo!, também realizam experimentos (não tão polêmicos como os do Facebook) visando aprimorar suas ferramentas de publicidade, serviços oferecidos e entender o comportamento dos usuários na rede mundial de computadores. Porém o Facebook possui algumas vantagens: é uma rede social e a maior do mundo, todos estão nela e falam dela, e seu lucro anual com publicidade é assustador – garantindo dinheiro de sobra para investir nas pesquisas que a rede desejar.

Entender o comportamento humano sempre foi uma preocupação de estudiosos por todo o mundo e, com a disponibilidade de um espaço onde há praticamente todo tipo de indivíduos e reações, isso fica bem mais fácil. Seria um desperdício não utilizar novamente a comparação feita no início desse texto, entre o Facebook e um laboratório gigante, pois, afinal, ela faz muito sentido mediante as notícias recentes.

Somos todos internautas, usuários e cobaias!

Mas o que o Facebook fez (se é que ainda não faz) é correto? Até o momento, não há nenhuma prova de que a rede social tenha violado alguma lei, seja ela de qualquer país, mas na visão de muitos usuários e de jornalistas que relataram o ocorrido pelo mundo todo, as experiências foram absurdas e violam nossos direitos como usuários. O Facebook garantiu “proteção apropriada” para as informações dos afetados pela pesquisa, mas sabemos que não estamos protegidos da própria rede, pois tal pesquisa tinha um objetivo e ninguém mais que o Facebook para “se aproveitar” disso.

Após a denúncia sobre as pesquisas não consentidas, o Facebook respondeu oficialmente às acusações afirmando que a partir do momento que se aceitam os termos de uso da rede, a pessoa se torna disposta a fazer parte de tais pesquisas. Achou ruim? Bem, a “solução”, por mais que pareça óbvia, é não aceitar os termos de uso – o que impossibilita a criação de uma conta.

Sabemos que softwares ou serviços da internet não permitem seu uso se os termos não forem aceitos. É minúsculo o número de indivíduos que leem tais termos e “concordam” (literalmente) com aquilo que lhes é imposto. Mesmo alguns daqueles que leem e descordam de algo nos termos do Facebook, possuem conta na rede, pois seu sucesso e nível de importância no mundo digital, torna praticamente impossível para muitos se excluir da maior rede social do mundo.

Facebook Policies

Termos e Políticas do Facebook. Disponível em facebook.com/policies | Imagem: Facebook

Aqueles que estão no Facebook, mas discordam de seus termos e políticas de privacidade (ahh, privacidade), com toda certeza possuem um motivo. Como já dito, o nível de importância do Facebook no mundo digital é altíssimo, sendo necessário utilizar uma conta na rede para logar em aplicativos e serviços da web, jogar online com amigos – até mesmo fora da rede, comentar em notícias e artigos de diversos sites. Além do que já foi citado, há o principal: manter contato e ficar atualizado sobre os interesses de amigos, familiares e colegas de trabalho. Tudo isso pode muito bem ser a razão pela qual um indivíduo que discorda dos termos Facebook e se sinta desconfortável na rede, tenha decidido permanecer com sua conta ativa.

Tendo em vista diversos motivos que ainda prendem até mesmo os usuários mais insatisfeitos, é possível dizer que o Facebook pratica da política do “vocês vão ter que me engolir”, ou melhor, engolir meus termos de uso.

Acusei de “grande bobagem” polemizar as pesquisas do Facebook, pois é fato que não há nada que possamos fazer. O Facebook realizou pesquisas (no plural) por muito tempo e pode continuar a realizar, mesmo que nós, usuários da rede, reivindiquemos que medidas sejam tomadas contra pesquisas do tipo. Também é fato que não nos sentimos confortáveis ao saber que somos manipulados usando a rede social, da mesma forma que nos sentimos desprezados ao saber que somos tratados como “peças”, quando discussões sobre como funciona a privacidade no Facebook pipocam na internet.

Os próximos capítulos dessa história serão definidos se o Facebook será punido ou não pela realização dessas pesquisas. Mesmo que haja punições para o que foi feito, questões de privacidade e estudos do comportamento dos usuários continuarão a ser um assunto polêmico. Nós, usuários que deveriam ter o poder de exigir, continuaremos a mercê das vontades do Facebook, pois é a rede social de Mark Zuckerberg que dita as regras agora.