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Muitos podem pensar que a produção televisiva dos Estados Unidos, em termos de qualidade, encontra-se no mesmo patamar que a brasileira: tudo é feito na TV aberta e a tv a cabo acaba por ser apenas um local para filmes e enlatados. Engana-se quem pensa assim. Estamos testemunhando uma virada de mesa excepcional por pare da tv paga americana.

Antes restrito à HBO, o mercado de produção de séries começou a expandir para outras emissoras pagas em meados da década de 2000. A HBO já tinha um histórico de sucesso em produções próprias. The Sopranos, que conta a história de um mafioso em crise existencial, Oz, sobre o dia-a-dia em uma penitenciária de segurança máxima e Roma (cujo próprio nome explica seu argumento) são exemplos clássicos. Atualmente o canal tem como carro chefe, além dos filmes, Game of Thrones – que dispensa apresentações.

Mas a HBO não está sozinha nessa guerra à tv aberta. Como num jogo de poker – regras aqui descritas – as tvs pagas estão dando all-in em produções próprias para levantar sua audiência. A AMC, por exemplo, começou sua jornada de sucesso na metade da década passada. Com assinatura e criação de Matthew Weiner (que fora produtor executivo das últimas duas temporadas de The Sopranos), Mad Men tornou-se o principal produto da emissora paga. A série retrata a cultura americana na década de 60 – tendo como pano de fundo a vida de publicitários da Madison Avenue – daí o título. Regada a (muitos) cigarros, uísque e machismo, Mad Men cativou o público e se encaminha para sua sétima temporada. A AMC conseguiu emplacar outros dois sucessos recentes, aliás. O primeiro deles é Breaking Bad – série que foca num professor de química com câncer que começa a vender anfetamina para garantir o sustento de sua família após sua inevitável morte. A outra é Walking Dead; esta é apenas um reflexo de um nicho extremamente explorado pelos video-games, o apocalipse zumbi e possível extinção da humanidade.

E não, não é apenas a HBO e a AMC que tem séries de sucesso. Outro exemplo da década passada que se sustenta firme e forte no ar é a série do canal, também pago, Showtime: Californication. Não, não tem nada a ver com a música homônima do Red Hot Chili Peppers. A série retrata a vida de um escritor em crise existencial, cuja ex-namorada está prestes a se casar com um homem que é o oposto a ele – homem este, Bill, com cuja filha fez sexo sem saber quem ela era. Hank Moody fuma, bebe e transa com uma mulher diferente a praticamente cada novo episódio – enquanto na realidade ainda ama sua ex namorada e precisa educar uma filha de 12 anos. A exemplo de Mad Men, Californication também se encaminha para a sétima temporada.

Não é segredo para mais ninguém que a tv a cabo norte-americana virou um celeiro impressionante de séries para o público. Aliás isso não está acontecendo apenas nas séries; recentemente a ESPN tomou o Futebol Americano de Segunda à noite (Monday Night Football) de sua empresa irmã, a tv aberta ABC (ambas pertencem à Disney). Será que veremos o mesmo no Brasil? Ou a Globo continuará sua dominação eterna? Sai de Baixo especial, no Viva, recentemente, pode ter mostrado que a tv a cabo também pode produzir bom material. É aguardar e ver.