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No início da década de 30 a febre dos quadrinhos tinham chegado para ficar nos Estados Unidos, e as vendas dos jornais diários dependiam muito das tiras que cada um publicava. Um dos maiores sucessos era a saga do primeiríssimo herói de ficção-científica espacial: Buck Rogers.

Outros imbatíveis eram Tarzan (Hal Foster) e Dick Tracy (Chester Gould). Vendo isso, um dos maiores distribuidores de tiras resolveu fazer um concurso nacional onde as categorias eram: aventura na selva, aventura policial e aventura no espaço.

Alex Raymond, um desenhista desempregado, resolveu que precisava ganhar dinheiro, participou e venceu nas três categorias. Levou os prêmios com o Agente-X9, homem-macaco com Jim das Selvas e herói espacial com Flash Gordon. Em poucos meses a popularidade de Flash já tinha batido Buck Roger.

Flash-Gordon-por-Alex-Raymond

Flash Gordon começou a ser publicado em jornais em 1934, e a rivalidade com Buck Rogers não ficava restrita às curvas de venda. Havia uma competição criativa tão grande que no final das contas toda a humanidade foi beneficiada. Como? Então vejamos: a mini-saia apareceu pela primeira vez num desenho de Dick Calkins para a amada de Buck, Wilma Deering. Outra novidade: um foguete decolou verticalmente numa tira de Flash Gordon mais de vinte e cinco anos antes que no Cabo Canaveral. Buck Rogers também ensinou os engenheiros espaciais a se locomoveram no vácuo. E por aí vai. Boatos de que a Nasa não tirava os olhos dos quadrinhos, sempre procurando soluções para seus projetos.

No primeiro seriado de Flash Gordon para o cinema, Flash Gordon no Planeta Mongo, os produtores preferiram decolar a nave na horizontal mesmo, como um avião comum, para que a cena não ficasse muito estranha. Os criadores  de Flash e Buck estavam muitos anos a frente. Phil Nowlan (escritor de Buck Rogers), Dan Moore (escritor de Flash Gordon) e Raymond tinham conceitos perfeitos de aerodinâmica espacial, cuidados especiais em novas atmosferas, cinturões gravitacionais, já falavam (e usavam!) em raios laser, e ainda por cima inventaram o biquini.

Já no cinema, o sucesso foi tanto que Flash chegou ás telas antes mesmo de seu antecessor. A série em doze capítulos Flash Gordon no Planeta Mongo estreou em 1936, e outra, Flash Gordon Marte, com quinze capítulos em 1938. Tudo isso antes de Buck, que só deu as caras nos cinemas em 39. Ainda houve mais doze capítulos de Flash Gordon Conquista o Universo, em 1940. Larry “Buster” Crabble foi o ator que interpretou Flash em todas essas versões.

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Em 1980,  o velho Flash foi remoçado em ritmo de superprodução falida, dirigida por Mike Rodges. Quem encarnou o personagem foi Sam J. Jones, que fez  o Spirit de Will Eisner na TV (com o cabelo tingido de preto). A trilha sonora desse longa metragem foi providenciada pelo Queen, o que torna o filme ainda mais cult.

O álbum, de 18 faixas, exceto por suas faixas-rock de destaque, Flash’s Theme e The Hero, é na verdade composto por “peças” de músicas instrumentais, com cerca de 2 minutos de duração, feitas para acompanhar as cenas de um filme de ficção cientifica, incluindo até mesmo diálogos deste. E, bom, nada simboliza melhor aventuras interplanetárias do que os efeitos dos sintetizadores. O uso abusivo dos sintetizadores somado ao relativo fracasso do filme fez com que os fãs não soubessem o que fazer com o álbum.

Flash Gordon se tornou a ovelha negra da discografia do Queen ou, no caso, a ovelha amarela. O disco dificilmente é reconhecido por parte dos fãs como um lançamento “oficial” do Queen, pois o nome da banda só aparece impresso na parte inferior da capa, em fonte relativamente pequena e fotos da banda são encontradas apenas na capa interna. Lançado em dezembro de 1980, Flash Gordon alcançou a décima posição no Reino Unido e a posição de número 23 no Estados Unidos.

Considerando o sucesso de The Game meros meses atrás fizeram com que o relativo fracasso do álbum alarmasse a banda. O single do álbum, Flash, se saiu muito bem nas paradas britânicas e chegou a ser incluído na coletânea Greatest Hits.

A história é praticamente a mesma da primeira aventura do seriado. Flash e os rebeldes tentam salvar o Planeta Mongo, cuja capital é Mingo, das garras do sanguinário Ming. Ming rapta Dale Arden, a amada do herói, e a força a casar-se com ele. Claro que no final Flash derrota o malvado Ming, salva Dale e deixa o planeta são e salvo.

As últimas aparições de Flash Gordon, além de continuar nas tiras e páginas dominicais , estão sendo mais discretas, mas não menos interessantes. Ele pode ser visto lutando contra o mal ao lado dos também clássicos Mandrake, Lothar, Fantasma e outros em “Os defensores da Terra”, desenho animado que estreou no Brasil em 1986 no SBT, e hoje encontra-se episódios na internet. A Marvel, depois de lançar o Phanton 2040 (Fantasma 2040), montou um gibi só para o Flash. Tem roteiros de Mark Schultz e desenhos de Al Williamsom.

Hoje , Flash Gordon está presente no Brasil graças a uma nova editora: a Editorial Kalaco, capitaneada por Franco de Rosa (EditoractivaOpera Graphica). Este primeiro álbum é uma antologia das tiras dominicais publicadas originalmente entre 1934 e 1936, contendo as aventuras “No Planeta Mongo” e “No Reino das Cavernas”.

  • Uma pequena correção: O filme de 1980 foi estrelado por Sam J. Jones e não “Tom Jones”, o famoso cantor 😀

    • Alexandre Fabonatto de Leon

      Obrigado! Agora está corrigido 😀