Compartilhe!

O conto A Bela Adormecida  passa através de várias formas, uma mensagem importante destinada à juventude atual. Muito mais importante do que qualquer outra mensagem de qualquer outro conto. Figuras masculinas e femininas apresentam projeções distintas, porém essas figuras apresentam os mesmos papéis em contos de fadas: em “A Bela Adormecida”, é o príncipe que observa o sono da moça, enquanto que em “Cúpido e Psique”, é Psique quem encontra cupido dormindo, e assim como o príncipe fica encantada com a beleza dele. Este é um exemplo, dentre vários outros. Mas podemos assegurar que há múltiplos exemplos de coragem e determinação em ambos os sexos.

No conto da Bela Adormecida, o início da história que é marcado pelo adormecimento da princesa, representa o começo da sexualidade. Temos duas versões para este conto- a de Perrault, e a dos Irmãos Grimm. Mas também há uma outra versão de o Pentamerone,  de Basílio, com o título original de ” O Sol, a Lua e Tália”. Em resumo, Tália (Bela Adormecida), cai em um sono profundo por conta de uma farpa de cânhamo que entra na sua unha. Tempo depois, um outro rei das redondezas, encontra Tália adormecida e apaixonado com sua beleza pratica o ato sexual com ela.

Nove meses depois Tália dá a luz a dois filhos, permanecendo-se inconsciente o  tempo todo. Uma vez um dos bebês desejando mamar, não consegue encontrar o peito e acaba por colocar o dedo com a ferpa na boca, retirando a ferpa e fazendo com que a princesa desperte. Tempo depois a rainha descobre a infidelidade do marido, e ordena em segredo que os bebês fossem cozidos e servidos ao marido. Vários outros acontecimentos rondam a história, e ela acaba por terminar com um verso que diz: Gente feliz, é o que se diz,/ É abençoada pela sorte na cama.

Perrault acrescenta por sua conta e risco, o detalhe da fada que roga a praga na moça, e nessa versão a própria rainha que após descobrir a traição, é quem deseja comer as crianças. Não há explicação para o ódio canibalista da rainha, mas tudo indica que ela era uma feiticeira que “sempre que avistava crianças, tentava a todo custo se conter, para não avançar contra elas. Compreendemos que na narrativa oral e escrita apresentada hoje, o conto termina com o final feliz do príncipe e da moça; forma também apresentada pelos Irmãos Grimm. Desejar a morte a um recém nascido, é característico de uma fada má.

Simbolismos diversos são encontrados nesse conto. As treze fadas da estória dos Irmãos Grimm, lembram os treze  meses lunares em que se dividia antigamente o ano. A não compreensão do pai na necessidade de menstruação da filha (relacionando-se a ordem do rei, de que todas as rocas do reino fossem removidas para impedir que adentrassem no dedo da filha, causando o sangramento fatal. Nota: nos tempos passados, a menstruação ocorria frequentemente aos 15 anos, mesma época em que esse sangramento ocorreria). O quarto trancado onde a menina fica  costuma representar em sonhos, os órgãos sexuais femininos.

O sono longo que representa a proteção contra encontros sexuais prematuros, visto que ao redor do lugar onde se encontra a princesa, há inúmeros espinhos. Todos os príncipes que tentam alcançar  a princesa antes dela terminar a sua maturação, perecem nesses espinhos.

Mas quando finalmente adquiri-se a maturidade física e moral, tudo que antes parecia impenetrável, agora se abre (representação onde a cerca de espinhos, se transformam em flores grandes e belas, que permitem a entrada do príncipe). A mensagem implícita é a mesma de vários outros contos: não se preocupe e não tente apressar as coisas- no seu devido tempo, os problemas impossíveis serão solucionados, como que espontaneamente.

  • André Miranda

    humm…gostei…legal.

  • André Miranda

    Estou fazendo um trabalho pra facu de psicanálise. Faremos sobre a bela adormecida. Vc pode me indicar onde achar mais coisas a respeito? Obrigado.